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É possível aprender em cursos a distância?

Publicado em : 20/05/2016

Autor : Profa. Dra. Thais Zerbini (FFLCRP/USP)*

O advento da tecnologia e sua presença diária na vida humana tem afetado o modo como as pessoas aprendem. A eliminação das barreiras temporais e espaciais permitida por tais inovações, aliada à importância da aprendizagem ao longo da vida, impulsiona o surgimento de novos cenários educacionais ou a transformação daqueles reconhecidos como mais tradicionais. Entretanto, frequentemente, ouve-se o seguinte questionamento: “É possível aprender em cursos a distância?”. Quantas vezes ouvimos de forma pejorativa colegas ou familiares comentando sobre alguém que realizou algum serviço mal executado: “Só pode ter feito curso por correspondência!”. Brincadeiras à parte, há questões mais sérias envolvidas nesse processo. Deparamo-nos constantemente com opiniões sem embasamento científico defendendo indubitavelmente que a educação a distância (EAD) trará prejuízos enormes à qualidade do ensino. Por outro lado, quem pode nos garantir que um aluno em uma sala de aula presencial, está, de fato, aprendendo algo? Certo mesmo é que a diversificação das modalidades de ensino levanta questões que requerem atenção e precisam ser discutidas.

Há ainda muito a ser investigado sobre a melhor forma de planejar e avaliar determinados recursos utilizados em ações educacionais ofertadas a distância. Atualmente, pode-se destacar a presença de uma nova geração no contexto universitário e no mercado de trabalho que possui diferentes interesses em relação às formas de aprender. Para essa geração e aos que a acompanham, que vivem conectados com novas tecnologias, as ações educacionais precisam ser ajustadas às suas características. Contudo, ainda que as novas tecnologias sejam promissoras enquanto recursos instrucionais, não garantem a aprendizagem. Exatamente em função disso, torna-se fundamental investigar a eficácia dessas ações – tais como o e-learning e o mobile learning – e quais as características das novas tecnologias contribuem para a aquisição de aprendizagem, bem como para a transferência do que se aprende em diferentes contextos.

Há diversas vantagens sobre os cursos a distância que podem ser ressaltadas, tais como: autogerenciamento da aprendizagem; respeito ao ritmo, espaço e tempo do estudante; no caso de um treinamento corporativo, a permanência do colaborador no ambiente de trabalho, reduzindo gastos com viagens para participação em treinamentos, entre outras.

Além do ambiente corporativo, a crescente oferta de cursos de graduação a distância no país aumenta a preocupação com a qualidade dos mesmos. É fato que existem vários cursos que criam uma condição de formação por vezes desconhecida em termos de qualidade, sobre a qual não há ainda sistemas de acompanhamento e avaliação. Contudo, a estruturação efetiva da EAD como política, amparada por essas novas tecnologias, pode contribuir para democratizar os sistemas de ensino, possibilitando o atendimento de alunos dispersos geograficamente. Nesse sentido, a contribuição da EAD seria significativa em um país com dimensões continentais como o Brasil.

Mais uma vez, insisto na importância de promover a avaliação da qualidade e da eficácia das ações educacionais ofertadas para um grande número de pessoas, visando garantir a qualidade do ensino, já que, no Brasil, a formação e a qualificação profissional vêm adquirindo uma importância cada vez maior no processo de desenvolvimento de uma economia e sociedade sustentáveis. Portanto, a resposta à pergunta “É possível aprender em cursos a distância?”, a meu ver, não se trata de uma questão de opinião, mas sim de uma questão de pesquisa. E muita séria!

 

*Professora de Psicologia Organizacional e do Trabalho da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo (FFCLRP/USP). É Coordenadora do Laboratório de Psicologia Organizacional e do Trabalho - LabPOT (http://www.labpotusp.com).  Email: thais.zerbini@gmail.com 

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