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Gestão, saúde e trabalho no contexto da pandemia: debate sob a perspectiva histórica.

Publicado em : 15/03/2021

Autor : João César Fonseca

 

A perspectiva histórica, adotada inclusive por algumas abordagens na Psicologia do Trabalho e das Organizações (PTO), pode contribuir significativamente para melhor compreender os tempos de pandemia e as especificidades experimentadas pelos trabalhadores e pelas organizações.

Referimo-nos especialmente à Psicossociologia, uma das chamadas Abordagens Clínicas do Trabalho, que ganhou força exatamente em outro momento de forte crise mundial: o período pós-Segunda Grande Guerra, com a necessidade de reconstrução de um mundo em frangalhos. Para essa abordagem, a noção de crise define-se por dois elementos: 1) ruptura das dinâmicas e equilíbrios anteriores; e 2) incapacidade para regular ou estabilizar o jogo das relações, assegurando uma estabilidade suficiente.

Além disso, a ideia de crise guarda alguns caracteres importantes, que poderíamos resumir nesses pontos:

  • Dimensão subjetiva (angústia frente a perda do sentimento de controle)
  • Ruptura das unidades (fragilização dos grupos até então estáveis)
  • Confronto de forças antagônicas (violência na falta da mediação)
  • Sideração imaginária (paralisia de projetos e planos)
  • Dificuldade de decisão (desorientação; que caminho seguir?)
  • Propagação (até onde vai essa crise?)

Ora, perceptivelmente todos os pontos indicados acima estão presentes na presente crise que enfrentamos, resultante da pandemia de Covid-19. Entretanto, ao invés de nos determos a analisar a experiência passada e aprimorá-la, buscando entender o que ela tem a nos ensinar, muitas vezes sucumbimos à tentação de alimentar o pensamento mágico, de que um “novo normal” surgiu de repente e que a experiência passada não tem nada a nos ensinar.

Esse “fetiche da mudança”, para aproveitar uma expressão do Prof. Christopher Grey, muitas vezes alimenta a expectativa de gestores e organizações, no sentido de buscar soluções mágicas e de alto impacto (se possível, com baixo custo).

É preciso lembrar que o a pandemia de Covid-19 não se instala em tabula rasa. Pelo contrário, é sobre um território marcado por um contexto de fragilização dos vínculos formais de trabalho, de aumento da precarização e de fragmentação dos espaços coletivos que o vírus (e as diversas crises dele decorrentes) ganham força e potencializam seus efeitos destrutivos, dentre os quais poderíamos citar: o um aumento exacerbado da desigualdade social, a intensificação da concentração de renda e a redução do número de postos de trabalho formal, para não nos estendermos demais.

Entendemos que é exatamente nessa interlocução entre técnica e pensamento crítico que residem as melhores possibilidades de intervenção no campo organizacional, especialmente nesse momento que estamos atravessando. Diversas empresas têm adotado práticas baseadas em tais pressupostos (mesmo que não os identificando claramente) e parecem reforçar nossa percepção. Exemplos como a empresa que bloqueia o horário de almoço para que os trabalhadores não atuem nesse período durante o home office ou a organização que busca identificar demandas das famílias dos trabalhadores, apesar de limitados, sinalizam a expectativa de que as inovações a serem apresentadas assentem-se em paradigmas mais consistentes do que simplesmente o discurso dos modismos.

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